Coleção Instituto Jacques Maritain |
DEUS E O HOMEM NA HISTÓRIA DOS SABERES
COMENTÁRIO
Acorrentado por Zeus no cume rochoso do monte Cáucaso, Prometeu sulca os céus com seu brado de rebeldia: odeio todos os deuses!
Ecoa do alto a advertência do arcanjo Miguel ao derrotar Lúcifer: quem como Deus?
Dos primórdios aos nossos dias, o autor refaz a história de alianças e disputas entre o céu e a terra, a fé e a ciência, a razão e a religião. Ao crente e ao agnóstico interessa de perto este enredo de paixões e argumentações.
Com Deus estamos seguros contra a morte e a solidão, pois Ele quebra o dente das serpentes venenosas (Salmo 58). Mas a Religião exige o "sacrifício da Razão". Também a Razão, é verdade, deve sacrificar a si mesma e renunciar a entender os absurdos da existência; mas ela vem dominando a natureza e seus mistérios: o Homem será Deus? Mil razões a favor, mil contra.
Para Marchionni, a história deve ser lida olhando o futuro, sem insistir no passado da Religião e da Razão, a primeira com suas inquisições, a segunda com seus holocaustos atômicos. Os homens, outrora belicosos e corporais, evoluem, se refinam, se espiritualizam, se entendem na Razão aquecida pela Fé, depondo o anátema e o fuzil. Razão e Religião devem escutar-se, numa reciprocidade de estima, pois o dia precisa da noite para dar à luz a aurora.